7 de abril de 2010

Idosos não têm pior desempenho!

Idosos não têm pior desempenho!

Sueli do Nascimento¹


Sempre me causou intenso desconforto ouvir pessoas afirmando que velhos não aprendem mais e que cometem mais erros do que os jovens. Sinto um incômodo maior quando comentam que velhos são mais lentos, mais esquecidos, mais inflexíveis do que os jovens e principalmente que eles ignoram as novas tecnologias.

O artigo “Benefícios da idade”, escrito por Michael Falkenstein e Sascha Sommer, publicado na revista Mente e Cérebro, no. 21 – ano 2009 diz que, embora muitas empresas optem por profissionais mais novos por acreditarem que os idosos perderam sua força de trabalho, pesquisas recentes mostram que algumas capacidades cognitivas são fortalecidas com o aumento da idade. Os especialistas não acreditam que as funções cognitivas sejam prejudicadas em sua totalidade com o passar do tempo, isto quer dizer que apenas alguns processos cerebrais são afetados pelo envelhecimento.

Embora as empresas reclamem da falta de candidatos qualificados os profissionais com mais de 40 anos de idade têm dificuldade para encontrar uma colocação profissional. As pessoas tendem a se aposentar mais tarde permanecendo ativas por muito tempo.

Este artigo diz que estudos com técnicas de imageamento revelam que com o tempo, o sistema nervoso central passa a ativar diferentes áreas cerebrais por isso considerar um candidado com mais de 45 anos obsoleto por causa da idade é desqualificar sua experiência e seus valiosos recursos.

Como sabemos existem várias velhices e pessoas mais velhas, quando comparadas entre si, possuem desempenho diferentes em tarefas críticas.

Indivíduos mais velhos acessam regiões do córtex cerebral, diferentes das utilizadas pelos jovens. Pessoas com idade avançada e ativando as mesmas regiões cerebrais que os jovens tem pior desempenho de memória. Uma questão a se considerar é o padrão de ativação neurológico e a reestruturação neural vale dizer que nem todas as pessoas com idade avançada apresentam esta capacidade de reestruturação, dizem os pesquisadores.

Vejam o que o texto menciona com relação à atenção, decisão, lentidão e concentração.

Os idosos possuem uma “inteligência cristalizada” constante ou até aumentada ao logo dos anos em indivíduos saudáveis, ou seja, possuem a experiência aliada à superior competência social enquanto os jovens têm uma “inteligência fluida” que remete à rapidez e flexibilidade.

Quando o foco é de atenção, ou seja, quando é necessário mudar de uma tarefa para outra ou coordenar duas tarefas simultâneas os mais velhos, geralmente, têm pior desempenho. É possível compensar as restrições se forem efetuadas modificações nas condições de trabalho.

Alguns testes com idosos e jovens, envolvendo percepção auditiva, visual e tomada de decisão, efetuados pela equipe alemã de Michael Falkenstein e Sascha Sommer demonstraram que o tempo de reação de idosos é 60 milissegundos mais lenta porém o percentual de erro mais baixo. O processamento visual é um pouco menos eficiente nos mais velhos embora a diferença entre velhos e jovens seja muito pequena, o que não acontece com estímulos acústicos. A prontidão é iniciada sem demora nos mais velhos então o motivo do atraso seria o intervalo necessário para os preparativos da resposta motora.

E neste ponto mencionam que é pouco provável que o centro motor do cérebro mais velho possa ser menos sensível, acreditam que o limiar de reação talvez seja aumetado nas pessoas mais velhas por motivos estratégicos, isto é, diminuem as possibilidades de erros pois reagem com mais cautela. Ao trabalhar mais lentamente o fazem com maior precisão.

A conclusão do estudo é que: “ as pessoas com mais idade não possuem audição prejudicada em comparação com os mais jovens e, apesar de processarem a informação visual de modo levemente piorado, seu cérebro é capaz de tomar decisões com relação a respostas motoras com a mesma rapidez dos jovens. Apenas o seu limiar motor é mais alto”.

Quanto à capaciade de concentração o texto menciona que indivíduos idosos muitas vezes cometem menos erros que os moços apesar de que, de acordo com os estudos, os mais velhos são tão suscetíveis à distração quanto os mais jovens e apesar disso os mais velhos cometem metade da quantidade de erros dos jovens pois os jovens reagem com mais rapidez aos estímulos falsos enquanto nos idosos a resposta demora mais evitando equívocos.

Dependendo do tipo de tarefa os idosos podem estar mais propensos ao erro, por exemplo, aquelas tarefas que os submetam à pressão temporal e ao mesmo tempo tendo que usar a visão. Neste caso a resolução da tarefa pode ser mais demorada se comparada a tempo gasto por jovens.

Em resumo, deficiências relacionadas à idade aparecem em determinadas ocupações. Não se justifica a classificação genérica de que os velhos são menos eficientes uma vez que apresentam melhor performance em muitas tarefas.

Se déficits existirem, a sugestão para compensá-los é reorganizar os locais de trabalho e reestruturar as tarefas, aproveitando a experiência dos mais velhos.

As empresas precisam repensar o papel dos jovens e velhos no mercado de trabalho para que possam usufruir das qualidades de ambos, ou seja, é pensar como colocar a pessoa certa na atividade correta.

¹Sueli do Nascimento, mestre em Administração de Empresas com extensão em Psicogerontologia

Um comentário:

Pati disse...

Prezada Sueli,

Gostei muito do seu artigo, pois precisamos romper com o preconceito existente com os mais velhos e idosos.
Como você destaca os estudos não justificam tal comportamento por parte de várias empresas.

Patrícia Cunha